@PHDTHESIS{ 2025:838567193, title = {Gênese de espodossolos no Brasil, com ênfase na Amazônia Central Brasileira}, year = {2025}, url = "https://tede.ufam.edu.br/handle/tede/11422", abstract = "Espodossolos constituem sistemas pedogenéticos de relevância global, cujas expressões em ambientes tropicais desafiam conceitos clássicos derivados de regiões boreais e temperadas. No Brasil, sua ocorrência abrange desde a Bacia Amazônica até as faixas costeiras, em distintos contextos geomorfológicos e climáticos. Esta tese integra três abordagens complementares (três capítulos): um artigo de revisão abrangente da literatura nacional, apoiada em um banco de dados inédito; um estudo de campo detalhado na Amazônia Central, visando compreender os controles geoquímicos e biológicos da gênese desses solos; e uma investigação aprofundada da composição e dinâmica da matéria orgânica (MO) nesses ambientes. Para o primeiro capítulo, foram compilados e analisados 352 perfis e 848 horizontes espódicos registrados ao longo de cinco décadas de pesquisa. Esta revisão objetivou caracterizar a variabilidade morfológica, física e química dos Espodossolos no Brasil, propor um modelo integrado de sua gênese e evolução regional, analisar a cronologia dos horizontes B espódicos, e elucidar as funções ecológicas relacionadas aos estoques de carbono. A caracterização morfológica, física e química, avaliada por estatística multivariada, revelou que a variabilidade dos Espodossolos brasileiros é mais bem explicada por classes pedoambientais do que por tipos de vegetação. Dados cronológicos de radiocarbono e luminescência opticamente estimulada demonstraram que horizontes espódicos se formaram em escalas de tempo que variam de séculos a centenas de milhares de anos, evidenciando tanto eventos recentes quanto processos paleoambientais. Adicionalmente, sintetizamos as teorias dominantes de formação (complexação, hidromórfica, polimorfológica e biogênica) em um modelo unificado para condições tropicais. Além de suas limitações agrícolas, destaca-se o papel ecológico dos Espodossolos no armazenamento profundo de carbono, na regulação de fluxos de matéria orgânica dissolvida, no suporte à biodiversidade e na manutenção da dinâmica hídrica. Para o segundo capítulo, o objetivo foi avaliar como variações da vegetação e do material de origem controlam a formação e a diferenciação dos horizontes espódicos. Para isso, oito perfis de solo foram caracterizados sob quatro formações geológicas e quatro formações vegetais diferentes na Amazônia Central, por meio de análises morfológicas, químicas, micromorfológicas e microanalíticas, além de estatística multivariada. Os resultados evidenciaram forte acidez, pobreza em nutrientes e saturação por alumínio nos horizontes espódicos, características associadas à intensa lixiviação. A análise de PCA revelou que nem vegetação nem geologia, isoladamente, explicam a distribuição dos horizontes B espódicos. Ao contrário, a gênese resulta de uma interação hierárquica entre aporte orgânico da vegetação e assinatura geoquímica do material de origem. Perfis desenvolvidos sobre o Grupo Trombetas apresentaram maiores teores de constituintes iluviais, enquanto os do Grupo Uatumã se associaram a maiores teores de ferro cristalino e areia. Em áreas sob campinaranas, a vegetação promoveu podzolização mais efusiva, corroborando o papel diferencial da qualidade da MO. No terceiro capítulo, objetivamos determinar a contribuição das frações físicas do carbono na estabilização da MO de Espodossolos e identificar os fatores pedogenéticos (teores de Al e Fe reativos) e bióticos (formações vegetais) que controlam a composição e a dinâmica das diferentes frações dessa MO, na Amazônia Central. Para isso, análises de fracionamento físico (COP, COAM), químico (HUM, AF e AH) e de assinatura molecular (FTIR-ATR) do CO foram realizadas. Os resultados mostraram que o carbono orgânico associado aos minerais (COAM) representa a fração dominante e mais estável da MOS, correlacionando-se positivamente com teores de Al e Fe reativos. A vegetação exerceu forte controle na qualidade da MOS, com campinaranas promovendo maior acúmulo de humina e compostos aromáticos, enquanto florestas alteradas favoreceram frações mais lábeis. A análise quimiométrica (PCA) dos espectros FTIR permitiu discriminar a MOS conforme o tipo de vegetação e grau de humificação, reforçando a ideia de que a podzolização em ambientes tropicais é mediada pela interação entre aporte orgânico, mineralogia e condições hidrológicas.", publisher = {Universidade Federal do Amazonas}, scholl = {Programa de Pós-graduação em Agronomia Tropical}, note = {Faculdade de Ciências Agrárias} }